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Colóquio Internacional
Comunicação Cultura e Comunidade
A Escola de Chicago em Debate
21 de fevereiro 2014 | 22 fevereiro 2014
A enorme importância que a comunicação tem granjeado desde o início do século XX até aos nossos dias vincula-se quer a questões de ordem teórica relativas à compreensão da cultura, da vida social, das tecnologias e mediações, quer às consequências dos meios de comunicação de massa e dos novos media em termos de influências e dinâmicas sociais, culturais e políticas. Porém, já desde o final do século XIX que o estudo da comunicação e dos media se tinha tornado um tópico fundamental para as ciências sociais emergentes.
É nesse contexto que nas teorias e na investigação em comunicação e media predominou uma abordagem dicotómica em que, por um lado, surgiu a tendência liberal empírica centrada no estudo dos efeitos, das funções e dos usos da comunicação de massa e, por outro lado, a tendência marxista centrada na denúncia da mercadorização e da alienação da cultura na sociedade de massas. Nas últimas décadas, essas perspectivas perderam força em proveito de uma atenção demasiado focalizada na análise das novas tecnologias da informação, seja de uma forma mais ou menos celebratória, seja de forma mais crítica. O que geralmente é negligenciado nestas últimas perspectivas é o vínculo da comunicação com a cultura e com a sociedade, o que acontecia nos estudos inaugurais.
Este colóquio pretende debater o legado de correntes teóricas e de investigação que se situam precisamente no âmago deste problema tal como foi desenvolvido pela chamada Escola de Chicago do pensamento social e por outras correntes próximas, como o interacionismo simbólico e o pragmatismo norte-americano. Em autores como John Dewey, George H. Mead, Charles H. Cooley, Robert E. Park e Erving Goffman, a comunicação foi pensada como interação e como o processo de base da participação, da associação, da organização social e condição da cultura. A sua importância radica também no papel que assume na construção do indivíduo como ator social, entendendo-se que é na interação que a identidade humana é constituída.
Presentation
Since the beginning of the 20th century the communication field has steadily built a growing importance that is deeply connected to theoretical developments concerning the understanding of culture, social life, technologies and mediations and to the influence of mass media and new media in social, cultural and political dynamics.
However, since the end of the 19th century communication and media studies were already significant within emergent social sciences. In that context there was a predominant dichotomy both on a theoretical level as on a communication and media research level.
On one hand an empiricist liberal tendency developed a research mainly focused on the effects, functions and uses of mass communication and, on the other hand, a Marxist tendency was more concerned with the so called mercantilization and cultural alienation of mass society. During the last decades those perspectives lost their strength to an approach that is increasingly centered in the new technologies of information and is characterized both by more celebratory or more critical overtones. These recent views often forget, though, the connection to the cultural and social dimensions that were part of the original studies.
This colloquy intends to debate the core of this very problem by proposing a discussion on the theoretically developed and empirically gathered legacy of the so called Chicago School and of other close theoretical references such as symbolic interactionism and American pragmatism. Authors such as John Dewey, George H. Mead, Charles H. Cooley, Robert E. Park and Erving Goffman considered communication as an interaction and a fundamental basis for participation, social organization and cultural condition. Its relevance is deeply related to the role it assumes in the construction of the individual as a social actor, taking into account that the human identity is constructed through interaction.
